quarta-feira, 28 de setembro de 2011

olhos entreabertos..


a minha dificuldade não é estar sozinha..
é estar sem você.

by Sol

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

mistério..



porque gosto da chuva..
porque gosto das flores..
descanso aqui, um poema de Florbela..


Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.


Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.


Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…


Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

...Florbela Espanca...

sábado, 17 de setembro de 2011

para entender o que não sou


as horas seguem seu curso
em direção ao infinito de seu tempo..
o rio segue, sem volta,
rumo à sua imensidão..
não há como impedir a chuva de molhar
e o fogo de queimar..
o raio fere e depois brilha..
silenciei meu coração.

by Sol

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

aquela mão


deixo aqui uma pequena parte de um poema de Castro Alves..

...Uma noite sonhei que, em minha vida,
Deus acendia a estrela prometida,
Que leva os Reis ao trilho da ventura;
Mus, quando, ao longo da poenta estrada,
O suor me escorria d'amargura...
Passava em meus cabelos perfumada
Aquela mão tão pura!...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

em sintonia com o nada..


não desafine a música que eu canto..
pois se eu calar,
somente as páginas rotas de uma velha partitura,
estarão abertas pra você..

by Sol

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

nesta noite de céu minguante


ESTE poema...é TUDO que eu preciso HOJE

Transubstanciação


De teu sepulto corpo tão amado,
raízes sorvem água e minerais.

Gerânios, trevos, rosas, margaridas,
de teu aroma são memoriais.

Abelhas polinizam, beija-flores
se evolam de mandalas vegetais.

E as borboletas trocam, no ar revolto,
carinho por carinho: o eterno cio.

O cemitério traz teu corpo à vida,
molhado por meu pranto tão bravio,

soluço pertinaz, a reciclar-te
em asa, em pólen, em verde compadrio.

...
Adelaide Lessa
...