segunda-feira, 30 de abril de 2012

...

Poema à boca fechada


Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.



(José Saramago)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

bauru..

o vento frio que antecede a chuva
e bate na minha janela,
traz com ele a certeza
de que ela virá..
e uma quase certeza
de que você irá,
quando a janela se abrir
e a chuva entrar...

portanto eu lhe peço..
não deixe que a chuva molhe meus prazeres..
proteja-me com seu corpo..
pelo menos por mais esta noite..
e depois vá, se quiser,
com a lua iluminando o seu novo caminho.

 by Sol

segunda-feira, 23 de abril de 2012

desde sempre..

um de meus poemas de carne e osso..

sábado, 14 de abril de 2012

não tente abrir o lacre..


fale em vida o que sentes..
mate a morte das palavras..
grite enquanto o fôlego te acompanha..

morra só.

depois assista ao desespero
dos que não tem mais o que ouvir de ti..

e siga acompanhado
do teu eu
que não nasceu.

by Sol

sexta-feira, 6 de abril de 2012

poema light


nestes dias em que vivo sem inspiração,
talvez uma coisa esteja acontecendo..
a dieta em meus versos.

estou com a memória mais magra,
e o corpo sem contornos.

falar de amor,
requer uma mente cheia de palavras
inspiradas na doçura dos teus beijos..
na fartura de tuas mãos, contornando meu corpo..

congelo as palavras saborosas..
que engordam o meu desejo
e sobrecarregam o meu coração de vida..

o que farto somente,
são meus olhos de lágrimas.. doces lágrimas..
que engordam mais e mais,
a desesperança da tua presença...

by Sol